Cobertura da Midia
The following letters refer to Gray, Christina M.; Sellon, Rance
K.; Freeman, Lisa M. Nutritional Adequacy of Two Vegan Diets for Cats. J Amer
Vet Med Assoc 2004, 225(11):1670-1675 (see
Vegetarian Feline Diets, Appendix II),
in which two commercially-available vegan cat foods were found to be deficient
in a range of essential nutrients.
Knight, A. Em defesa da ração vegetariana para gatos. J. Amer. Vet. Medical. Assoc. February 15, 2005; 512-513.
É tentador escapulir à conclusão de que gatos não sobrevivem sem carne após a leitura do recente artigo de Gray, Sellon, and Freeman's no JAVMA entitulado "Adequação Nutricional de Duas Dietas Veganas para Gatos" (JAVMA, December 1, 2004, pp 1670-1675).
Duas rações veganas disponíveis comercialmente para gatos foram submetidas a análises nutricionais e descobriu-se serem deficientes em alguns aminoácidos, traços de minerais , vitaminas e ácido aracdônico.
Uma delas demostrou-se deficiente em todo seu conteúdo proteico. Isso necessariamente significa que gatos não podem sobreviver sem carne? Não, em absoluto. Entretanto, isso é certamente verdadeiro para gatos que eram forçados a caçar para sobreviver em seus habitats naturais. Mas as adaptações evolucionistas que seus ancestrais consequentemente adquiriram são de relevância diminuida para gatos domesticados e alimentados com dietas comerciais, de enlatados a pacotes, em horários escalonados diariamente.
Tanto para gatos quanto para outras espécies, a resposta está em uma dieta nutricionalmente completa e balanceada. Também é essencial que seja palatável e em formato biodisponível. Não existe absolutamente nenhuma razão cientifica pelo queal dietas que englobam plantas, minerais e ingredientes sintéticos não sigam todos esses requerimentos da mesma maneira que diversas rações comerciais.
A partir dos resultados dos estudos de Gray et all, entrei em contato com as duas empresas fabricantes das rações para gatos. Em resposta, o CEO de uma delas disse: - nós temos de dez a vinte mil cachorros, gatos e ferrets saudáveis e longevos vivendo sob a Dieta da Evolução...Importantes estabelecimentos para animais usam nossos produtos e não abdicam dos mesmos. Esses estabelecimentos usam nossos produtos porque têm menores taxas de doenças e de mortalidade nos seus animais assim alimentados. A explicação mais plausível é a de que a amostra testada era nutricionalmente inadequada (mas a maior parte que é vendida e usada é adequada) além da ocorrência de um erro de formulação na fábrica.
Problemas similares justificam as anormalidades encontradas na outra marca testada. Isso foi confirmado pelo fabricante que, profundamente preocupado com os resultados do estudo, observou de perto o processo de elaboração direcionando-se a localizar a chave do erro relacionada com as anomalias. Dessa maneira, o produtor estabeleceu procedimentos de controle de qualidade para prevenir uma recorrência.
É completamente praticável que repetidas e independentes análises laboratoriais de uma linha de produtos comerciais, sendo uma vegana e a outra a base de carne, iriam demonstrar similarmente inadequações nutricionais.
De certo, tais achados, de nenhuma maneira negam a capacidade de dietas veganas e a base de carne, quando bem formuladas, atingirem os requerimentos nutricionais para os animais aos quais se destinam; elas simplesmente ilustram a necessidade de um melhor controle de qualidade ao longo da produção.
Para gatos e cães veganos, uma dieta ou um suplemento balanceado e completo suplemento se faz necessário para assegurar que todos os nutrientes sejam encontrados.
A monitoração regular do pH da urina também é importante para detectar e permitir a prevenção da alcalinização urinária devido seu consequente potencial para a formação de cálculos urinários, obstruções e infecções que podem resultar de uma dieta vegetariana em uma minoria de gatos.
Andrew Knight BSc., BVMS
President, Animal Consultants International
Veterinarian, Tweed House Veterinary Surgery
Yeadon
Leeds LS19 7RP
UK
a. Weisman E. Evolution Pet Foods.
Gray CM, Sellon RK, Freeman LM. The authors respond. J. Amer. Vet. Medical. Assoc.
15 Feb. 2005; Vol. 226 No. 4 pp. 513-514.
We thank Dr. Knight for his
interest in our article and agree that our results do not prove that all vegan
cat foods are nutritionally inadequate or that cats are incapable of surviving
without meat. We looked at only two foods, so our conclusions are appropriate
only for the foods analyzed. We recognized study limitations in terms of the
number of samples analyzed and acknowledged that variations among batches or in
nutrient content of key ingredients could explain our results. Dr. Knight offers
another explanation; namely, that at the time of manufacture of our samples,
quality control on the part of both manufacturers was wanting, emphasizing Dr.
Knight’s point that good quality control is essential, particularly when
marketing diets for a species that is physiologically less capable of adjusting
to dietary deficiencies than others.
Dr. Knight points out that
several commercial manufacturers claim to make nutritionally adequate nonmeat
diets for cats. Our search for information about vegan cat foods found little
rigorous nutritional analysis to support these claims, which are not intuitive
given what is known about the physiology of cats. This was the basis for
undertaking the study in question. We believed our results would interest the
veterinary community so that recommendations regarding these diets could be made
on the basis of more than unsubstantiated claims of diet manufacturers.
While a manufacturer’s
statement that thousands of healthy and long-living animals are on their diets
is interesting, additional information is needed to support the diets’
nutritional adequacy. Thousands of cats may be fed these diets, but we are not
aware of any data that have emerged from a comprehensive health assessment of
any of them. We consider it the responsibility of any pet food manufacturer to
submit samples of their diets from multiple lots for independent nutritional
analysis before claiming adequacy as a sole source of nutrition for cats or
other species. In addition, while it is important to meet the Association of
American Feed Control Officials (AAFCO) Nutrient Profile minimums for nutrients,
an AAFCO feeding trial is the preferred method to establish nutritional
adequacy. These feeding trials help to establish whether the nutrient amounts
actually available to the cat are adequate to support health.
We are pleased if our paper
served to help manufacturers identify formulation or mixing errors. We encourage
the manufacturers to submit their diets for independent laboratory analysis and
AAFCO feeding trials to ensure that any errors have indeed been corrected and
that these diets are adequate to maintain the health of cats eating them.
Finally, the pathogenesis of
the various forms of feline lower urinary tract disease (FLUTD) is still
debated, but most cats with FLUTD today do not have urolithiasis, and in those
that do, most uroliths are now composed of calcium oxalate. Although much
additional research is needed on the nutritional factors affecting FLUTD,
urinary acidification is not indicated for all cats.
Christina M. Gray, DVM
Portland, Ore
Rance K. Sellon, DVM, PhD, DACVIM
Pullman, Wash
Lisa M. Freeman, DVM, PhD, DACVN
North Grafton, Mass
Fox MW. More on vegetarian/vegan cat foods. J. Amer. Vet. Medical. Assoc. 1 Apr. 2005; Vol. 226 No. 7 p.1047.
A defesa de Andrew Knight acerca da alimentação vegetariana para gatos baseia-se mais na fé do que na biologia do gato como um carnívoro funcional.
Sua fé embasada na ciência é um eco daqueles que clamaram por muitos anos que diversas formulações de rações industrializadas para cães e gatos eram completas e balanceadas para depois descobrir que eram responsáveis por certos problemas de saúde relacionados com alimentação e deficiências nutricionais.
Enquano o dr. Knight afirma que não há absolutamente nenhuma razão científica para que dietas baseadas em plantas, minerais e ingredientes sintéticos não possam encontrar tais requerimentos, não há nenhuma certeza científica de que a ração vegetariana seja boa para todos os gatos. Essas dietas baseiam-se mais nos valores antropocêntricos daqueles que advogam o vegetarianismo para os humanos e que têm desconforto ético com o fato de alimentarem seus felinos com produtos animais.
Usar a ciência da nutrição, que ainda está na sua infância, para dar suporte a rações vegetarianas para gatos, é ignorar o princípio da precaução com relação aos ingredientes sintéticos e a biologia básica do gato como um carnívoro.
Michael W. Fox, DSc, PhD, BVet Med
Minneapolis, Minn
US
Knight A. O Autor Responde. J. Amer. Vet. Medical. Assoc. 1 Apr. 2005; Vol. 226 No. 7 pp. 1047-1048.
Agradeço ao Dr. Fox por trazer a tona o importante conceito de fé durante sua discussão sobre dietas vegetarianas para cães e gatos. Para o crente, a fé traz a justificativa para a crença no lugar da lógica da razão ou da evidência. E é exatamente uma crença que têm os que se opõem a dieta vegetariana do gato sem antes reverem criticamente as evidências.
Eu recentemente passei alguns meses examinando esse tipo de evidência. Após pesquisar extensamente a literatura biomédica, posso confirmar que um estudo (1) não relata desenvolvimento de desnutrição, chamada hipocalemia polimiopática em gatos alimentados com dieta vegetariana. Embora se soubesse antes do estudo que a dieta era nutricionalmente inadequada. O objetivo do resultado em tal caso levanta questionamento sobre a motivação desse estudo ser mais política do que de cunho científico.
Apesar da crença de muitos veterinários de que dietas vegetarianas são inevitavelmente perigosas para animais de companhia, não houveram estudos demonstrando esse "fato" popular utilizando dietas vegetarianas nutricionalmente completas e equilibradas. No entanto, é interessante observar que existem de fato numerosos estudos que demonstram o aumento do risco de doenças degenerativas tais como falência renal (2), doenças hepáticas, musculo-esqueléticas e neurológicas (3), má formação congênita (4) e distúrbios de sangramento (5) em sequência à manutenção crônica de dietas a base de carne.
Até que estudos de longo prazo abordando a saúde de cães e gatos alimentados com dietas vegetarianas sejam publicados, nossas evidências se manterão a nível de relatos de casos. Felizmente, um grande numero desses relatos estão descritos em websites e em livros (6). Normalmente demonstram os benefícios substanciais para cães e gatos após a transição para uma dieta vegetariana, incluindo a redução de ectoparasitas e reações alérgicas alimentares, redução de obesidade, regressão de sinais de artrite, diabetes, catarata e doenças urogenitais, e melhora da vitalidade. Observei alguns desses efeitos em meus pacientes gatos vegetarianos e ao receber relatos cada vez mais animadores de seus donos.
Para ser justo, também existem relatos de animais que foram prejudicados por dietas vegetarianas (e a base de carne) nutricionalmente inadequadas. No entanto, são de pequena relevância científica. Tudo o que se estabelece é a necessidade de informação sobre a necessidade de se usar um dieta vegetariana ou de um suplemento alimentar nutricionalmente completo e balanceado.
A monitoração regular do pH urinário também é importante para detectar e prevenir a alcalinização da urina que pode ocorrer em uma pequena porcentagem de gatos vegetarianos com consequente aumento do risco de cálculos urinários, obstruções e infecções.
Gostemos ou não, o crescente número de clientes preocupados com vegetarianismo, saúde e ética irá aumentar a demanda de cães e gatos mantidos em dietas vegetarianas.
É nossa responsabilidade como cientistas, veterinários e mantenedores do bem estar dos animais colocar de lado qualquer tipo de oposição baseada em fé com relação à dieta vegetariana para animais de companhia e estudar sobre essa dieta para que, dessa forma, possamos ajudar mais a nossos clientes a manterem a saúde e o bem-estar de seus animais de estimação.
Andrew Knight, BVMS
President, Animal Consultants International
London Road Veterinary Hospital
Kings Lynn, UK
1. Leon A, Bain SA, Levick WR. Hypokalaemic episodic polymyopathy in cats fed a vegetarian diet. Aust Vet J. 1992;69:249-254.
2. DiBartola SP, Buffington CA, Chew DJ, et al. Development of chronic renal disease in cats fed a commercial diet. J Am Vet Med Assoc. 1993;202:744-751.
3. Dow SW, Fettman MJ, Curtis CR, et al. Hypokalemia in cats: 186 cases (1984-1987). J Am Vet Med Assoc. 1989;194:1604-1608.
4. Freytag TL, Liu SM, Rogers QR, et al. Teratogenic effects of chronic ingestion of high levels of vitamin A in cats. J Anim Physiol Anim Nutr (Berl). 2003;87:42-51.
5. Strieker MJ, Morris JG, Feldman BF, et al. Vitamin K deficiency in cats fed commercial fish-based diets. J Small Anim Pract. 1996;37:322-326.
6. Peden J. Vegetarian Cats & Dogs. 3rd Ed. Troy, Mont: Harbingers of a New Age. 1999.